O papel real das redes sociais no Marketing Digital das empresas
- True Brands

- 18 de set. de 2025
- 6 min de leitura
Porque estar presente não é o mesmo que criar impacto e porque muitas empresas usam o canal sem um objetivo claro.

Introdução - as redes sociais tornaram-se obrigatórias, mas continuam mal compreendidas.
Hoje, praticamente todas as empresas estão nas redes sociais.
Publicam com regularidade, partilham novidades, mostram bastidores, promovem produtos ou serviços. À superfície, parece que estão a “fazer marketing digital”.
Mas, na prática, muitas não sabem responder a uma pergunta simples:
para que servem as redes sociais no seu sistema de crescimento?
Esta indefinição é o maior problema do canal.
Não a falta de conteúdos.
Não a falta de frequência.
Não o algoritmo.
As redes sociais são um meio poderoso, mas apenas quando têm um papel claro dentro da estratégia global de Marketing.
Redes sociais não são um plano de marketing. São um canal dentro dele.
1. As redes sociais não existem para vender diretamente, mas influenciam quase todas as vendas.
Um dos erros mais comuns é esperar que as redes sociais funcionem como um canal direto de vendas. Na maioria dos setores, isso não acontece.
E quando acontece, é a exceção, não a regra.
O verdadeiro impacto das redes sociais é indireto, mas profundo.
Elas influenciam perceção, confiança e decisão muito antes de qualquer conversa comercial.
Na prática, as redes sociais funcionam como:
validação da marca,
reforço de credibilidade,
demonstração de consistência,
extensão da narrativa comercial.
Quando um potencial cliente chega ao website, pede uma proposta ou responde a um contacto comercial, muitas vezes já passou pelas redes sociais, mesmo que nunca tenha interagido.
2. O erro de tratar as redes sociais como produção de conteúdos.
Muitas empresas abordam este canal como uma obrigação operacional: “é preciso publicar”, “é preciso manter a presença”, “é preciso alimentar as redes”.
O foco passa a ser o conteúdo em si, não o efeito que esse conteúdo deve gerar.
Sem uma lógica estratégica, o resultado é previsível:
publicações desconectadas do posicionamento,
mensagens genéricas,
temas repetidos,
ausência de progressão narrativa,
esforço constante com impacto reduzido.
As redes sociais não devem ser vistas como um calendário editorial. Devem ser vistas como um canal de influência contínua.
Publicar sem intenção estratégica cria atividade, não cria posicionamento.
3. O verdadeiro papel das redes sociais no Marketing Digital.
Quando bem utilizadas, as redes sociais cumprem três funções críticas no Marketing Digital moderno:
Constroem familiaridade. O mercado passa a reconhecer a empresa, a sua linguagem, a sua postura e a sua visão. Isto reduz fricção quando chega o momento da decisão.
Reforçam autoridade. A forma como a empresa explica, comenta, analisa e contextualiza temas do seu setor cria perceção de competência, mesmo sem autopromoção direta.
Sustentam a decisão. Quando alguém está a avaliar uma empresa, as redes sociais funcionam como um “background check” silencioso. Não convencem sozinhas, mas podem bloquear ou facilitar a escolha.
4. Redes sociais sem estratégia amplificam a incoerência.
Um aspeto pouco discutido é que as redes sociais não apenas comunicam, elas expõem a falta de coerência entre discurso, posicionamento e prática.
Quando a mensagem nas redes sociais não bate certo com:
o website,
o discurso comercial,
a experiência real,
ou a maturidade da empresa,
o canal deixa de ajudar e passa a gerar ruído.
O problema não está na visibilidade, mas na inconsistência que essa visibilidade revela.
As redes sociais amplificam o que a empresa é, não o que ela gostaria de parecer.
5. O papel das redes sociais no Marketing Digital tradicional
No Marketing Digital tradicional, as redes sociais são encaradas sobretudo como um canal de presença e visibilidade. O objetivo principal é garantir que a empresa “está ativa”, comunica com regularidade e acompanha o ritmo do mercado digital. Publica-se para manter a notoriedade, reforçar a imagem e demonstrar dinâmica.
Neste modelo, as redes sociais funcionam de forma relativamente autónoma em relação ao resto da organização. Existe um esforço consistente de produção de conteúdos, foco em formatos, frequência e estética, mas pouca ligação direta ao processo comercial, à experiência do cliente ou à forma como as decisões de compra são tomadas.
As redes cumprem, assim, um papel importante de apoio à marca, mas limitado no impacto estrutural da empresaz. Influenciam perceção, ajudam a criar familiaridade e mantêm a empresa visível, mas raramente participam ativamente na progressão do cliente ao longo da jornada de decisão.
É um modelo que funciona bem enquanto o mercado é simples e o processo de venda é curto. Torna-se, porém, insuficiente à medida que as decisões se tornam mais complexas e exigem mais do que presença e notoriedade.
Neste modelo, as redes sociais comunicam, mas não conduzem a decisão.
6. O papel das redes sociais num sistema de Marketing Integrado.
À medida que os processos de decisão se tornaram mais longos e complexos, o papel tradicional das redes sociais revelou-se limitado. Não por estar errado, mas por não acompanhar a realidade atual do mercado. É neste contexto que as redes sociais passam a ser vistas como parte de um sistema de Marketing Integrado.
Num sistema integrado, as redes sociais deixam de ser um canal isolado de comunicação e passam a funcionar como um componente ativo do sistema comercial. Cada publicação tem uma função clara dentro da jornada do cliente: preparar o mercado, reduzir a incerteza, reforçar critérios de escolha e encaminhar para ações concretas.
Isto implica uma mudança estrutural. As redes deixam de existir apenas “para fora” e passam a estar ligadas ao que acontece dentro da empresa. O conteúdo não é criado apenas para informar ou entreter, mas para apoiar decisões reais, alimentar o processo comercial e criar continuidade entre comunicação, vendas e experiência.
Neste modelo, existe uma ligação direta entre o que é publicado e o que acontece a seguir: páginas específicas do website, conteúdos mais profundos, pedidos de contacto, registo no CRM, qualificação e acompanhamento. Ao mesmo tempo, as interações nas redes, dúvidas, comentários, mensagens e objeções recorrentes, regressam à empresa e influenciam a comunicação, os argumentos comerciais e até a forma como o serviço é entregue.
Sem integração, as redes sociais geram atenção. Com integração, geram avanço.
Quando este circuito existe, as redes sociais deixam de ser apenas um esforço contínuo de produção de conteúdos e passam a ser um ativo estratégico. Não substituem outros canais, mas reforçam-nos. Não resolvem tudo sozinhas, mas contribuem de forma direta para a previsibilidade, a coerência e a qualidade das decisões comerciais.
Conclusão - as redes sociais não são um fim, são uma engrenagem.
As redes sociais tornaram-se um canal inevitável no Marketing Digital, mas continuam a ser mal utilizadas porque são tratadas como um fim em si mesmas. Publica-se para existir, mede-se a atividade em vez do impacto e espera-se que o canal resolva problemas que pertencem à estratégia, às vendas ou à estrutura da empresa.
Quando funcionam mal, o problema raramente está no algoritmo, no formato ou na frequência. Está no facto de o canal operar isolado, sem ligação clara ao posicionamento, ao website, ao processo comercial e à experiência real do cliente. Nesse cenário, as redes sociais geram visibilidade, mas não criam avanço. Criam ruído, não continuidade.
Num sistema de Marketing Integrado, o papel das redes sociais muda radicalmente. Deixam de ser um palco e passam a ser uma engrenagem. Cada conteúdo tem uma função concreta dentro da jornada de decisão: preparar o mercado, reduzir incerteza, reforçar critérios de escolha e encaminhar para ações específicas. Ao mesmo tempo, o que acontece nas redes sociais regressa à empresa sob a forma de sinais reais, dúvidas, objeções, expectativas e fricções, que influenciam a comunicação, as vendas e até a forma como o serviço é entregue.
É esta lógica de circuito que ajuda a compreender as diferentes formas como as empresas utilizam as redes sociais. Em alguns contextos, o canal cumpre sobretudo uma função de presença e visibilidade, com um esforço contínuo orientado para a comunicação e a notoriedade. Noutros, as redes sociais assumem um papel mais integrado, inseridas num sistema onde cada publicação tem uma função clara dentro do processo de decisão, contribuindo para a coerência, a previsibilidade e o suporte à atividade comercial.
As redes sociais, por si só, não determinam o crescimento. O seu impacto depende do papel que lhes é atribuído dentro da organização. Quando integradas num sistema que articula Marketing, Vendas e Operações, tornam-se num canal relevante para sustentar a confiança, apoiar as decisões e reforçar a perceção de profissionalismo no mercado, sem deixarem de ser, antes de mais, um meio ao serviço da estratégia global da empresa.



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